1ª ELO
1ª Esquadrilha de Ligação e Observação
Os olhos da Artilharia Divisionária


 
A 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, A FEB, teve sob seu controle operacional uma pequena unidade da Força Aérea Brasileira, com efetivo de 30 homens, sendo 11 oficiais aviadores, 1 indendente, 8 sargentos mecânicos de avião, 2 sargentos de rádio, 8 soldados auxiliares de manutenção e 10 aeronaves tipo HL - Piper Cub, ou L-41 na versão militar.
    Mais conhecida como 1ª ELO, a Esquadrilha de Ligação e Observação, foi criada em 20 de julho de 1944, passando a servir diretamente à Artilharia Divisionária da FEB. Sua missão era executar vôos isolados sobre a "terra de ninguém" e sobre a própria linha de frente inimiga, em aviões desarmados, com o objetivo de fazer observação, reconhecimento aéreo e regulagem de tiro, em proveito da Artilharia Divisionária.
 Uma missão de guerra na 1ª ELO tinha duração média de 1h55min, onde o piloto da FAB e o oficial de artilharia que o acompanhava, como observador, ficavam expostos ao fogo antiaéreo alemão leve e pesado. Além do flak alemão, outro perigo que rondava a tripulação dos pequenos Piper, era a formação de gelo no cone do difusor do carburador, o que, muitas vezes, provocava a parada do motor. Não foram poucas as vezes que, com gelo acumulado no cone do difusor, o motor parava parcialmente e o avião começava a perder altura, atingindo altitudes entre 300 e 600 metros, onde a temperatura mais elevada dissolvia o gelo, e o motor voltava a funcionar normalmente. E a missão sempre recomeçava e era cumprida !
Pilotos e  observadores passaram a ser a extensão do binóculo da artilharia . Em pouco tempo tornaram-se veteranos. Foram eles que mantiveram, ao longo da campanha da Itália, a Artilharia Divisionária informada de tudo o que se passava na área de sua atuação. Por estarem sempre provocando o inimigo, os pracinhas chamavam o Piper de "caça-encrenca". A precisão dos tiros da artilharia da FEB tornou-se famosa na frente do V Exército. Era a 1ª ELO que colaborava na regulação de tiro ... operando em vários campos, a maior parte em condições precárias.
Aviões Piper Cub L-4 da 1ª ELO
A campanha

Em 6 de outubro de 1944 o pessoal da 1ª ELO chegou a Nápoles, após atravessar o Atlântico a bordo do navio General Meighs, junto com o 3º Escalão da FEB. A escolta  do General Meighs foi feita pelos navios Rio Grande do Sul, Memphis, Trumpter e Cannon, o primeiro de nossa Marinha de Guerra e os três últimos americanos.
De Nápoles partiram, novamente por via marítima, para Livorno, instalando-se na Quinta Real de San Rossore, próximo a Pisa. Em San Justo, Pisa, receberam os aviões, os Pipers ou L-4H, adaptados em versão militar. Eram pequenos monomotores de 65 HP de potência, asa alta, velocidade de 121 km/h e com capacidade de carga útil de 180kg. No dia 5 de novembro foram iniciados os vôos de adapatação em San Rossore, um hipódromo transformado em pista de pouso. Nesse mesmo dia, foram batizados os aviões: Grupo Escola, Bandeirante, Santa Therezinha, Timbiras, Ceará, Diogo Júnior e Luly.
 Operaram durante a campanha nos seguintes campos de pouso: Hipódromo de San Rossore, Pisa (28.10.44 a 13.11.44); San Giorgio, Pistóia (13.11.44 a 10.12.44); Suviana (10.12.44 a 18.03.45); Porreta Terme (18.03.45 a 27.04.45); Montecchio Emeglia, Montecchio (27.04.45 a 04.05.45); Piacenza (04.05.45 a 09.05.45); Portalbera (09.05.45 a 12.06.45) ; e Bergamo (12.06.45 a 16.06.45). Alguns destes não mediam mais de 200 metros de comprimento. O pessoal do Exército apenas limpava as minas. O resto era com o pessoal da ELO.
 A 1ª ELO executou a primeira missão de guerra no dia 12 de novembro, decolando de San Giorgio, Pistóia. A última foi voada no dia 29 de abril de 1945, quando a Esquadrilha operava em Portalbera, o último campo em que operou missões de guerra.
Ao final da guerra, a quase desconhecida 1ª ELO, sem baixas, voara um total de 2.388h15min. sendo destas, 1.282h50min. voadas em missões de guerra, realizando 684 missões de guerra, 1.956 vôos e 400 regulações de tiro para a Artilharia Divisonária e outras unidades americanas e inglesas. Foram 184 dias operacionais. Dias de glória.

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