A Aviação de Patrulha
Proteção Aérea
à Navegação Marítima
| Iniciada a II Guerra
Mundial, durante seus dois primeiros anos, 1939 e 1940, não houve
nenhum torpedeamento de navios próximo ao litoral brasileiro, por
submarinos do Eixo . Em 1941, só houve três torpedeamentos
de navios, de nacionalidade estrangeira, relativamente próximos
do litoral brasileiro, mas a mais de 400 quilômetros da costa.
Em fevereiro de 1942, após o rompimento das relações diplomáticas com os países do Eixo, foram afundados os primeiros navios mercantes brasileiros nas costas dos Estados Unidos (Cabedello, Buarque, Arabutã, Cairu e o Paraíba) . No primeito semestre desse ano, a guerra submarina chegava às costas do Brasil, com o afundamento de mais três mercantes estrangeiros. E, ainda no ano de 42, mais 6 navios brasileiros seriam torpedeados (veja a lista completa de navios torpedeados). |
| A FAB, com seu ano e meio de existência, sem aviões apropriados para a guerra anti-submarino e sem pessoal adestrado, foi obrigada a superar suas dificuldades, numa corrida contra o tempo . |
Hidroavião da FAB PBY-5 Catalina |
Os ataques mais importantes de
aeronaves da FAB a submarinos
| No dia 22 de
maio de 1942, às 14 horas, entre o arquipélago de Fernando
de Noronha e as Ilhas Rocas, deu-se o primeiro ataque a submarino alemão
por avião da Força Aérea Brasileira; um B-25 "Mitchell",
do Agrupamento de Aviões de Adaptação, fazendo um
vôo de patrulha, municiado e com um carregamento de oito bombas de
100 libras, na área onde quatro dias antes tinha sido torpedeado
o "Comandante Lyra", surpreendeu um submarino navegando na superfície.
A tripulação do submarino, avistando o avião, iniciou
pesado fogo antiaéreo. O B-25, num rasante, largou todas suas bombas
sobre o inimigo, sem no entanto acertá-lo em cheio. Devido ao pesado
fogo que sofria, o Mitchell, já sem bombas, retornou à
Base, sem confirmar se havia danificado o U-Boat.
Em 27 de maio, houve mais dois ataques a submarinos por aviões B-25, do Agrupamento de Aviões de Adapatação. A 26 de agosto de 1942, foi realizado um ataque a submarino a 50 milhas da costa, na altura de Araranguá, Santa Catarina (seria o único efetuado por avião brasileiro no litoral sul do país; todos os outros ataques foram feitos do Rio de Janeiro para o norte). Foi realizado por um avião de reconhecimento e bombardeio, Vultee V-11 GB2, de número 122. A aeronave, comandada pelo 1º Ten.Av. Alfredo Gonçalves Corrêa, lançou, a baixa altura, três bombas de 250 libras, atingindo seriamente o submarino. Apesar de estilhaços de uma das bombas terem atingido o avião (na região do anel de velocidade e do coletor do escapamento) e obrigá-lo a um pouso de emergência no aeródromo de Ozório, a tripulação nada sofreu. Em dezembro de 1942, a FAB recebeu seus primeiros dez A-28A Hudson . Em janeiro chegariam mais 16, e os últimos seriam entregues em março de 1943. Logo, os Hudson mostrariam para o que vieram: em 5 de abril de 1943, um A-28A, do 2º Grupo de Bombardeio Médio, da Base Aérea de Salvador, pilotado pelo 1º Ten.Av. Ivo Gastaldoni, atacou um submarino na superfície, a 60 quilômetros da costa, ao largo de Aracajú, acertando em cheio 4 bombas de profundidade danificando-o gravemente, provavelmente chegando a afundá-lo. Às 12 horas e 10 minutos do dia 8 de maio de 1943, um avião de bombardeio Douglas B-18, pilotado pelo 1º Ten.Av. Zamir de Barros Pinto e pelo Asp.Av. Geraldo L. Lebre, atacou o U-154, na mesma área em que na mesma manhã, havia sido torpedeado o cargueiro "S.S. Motocarlino". |
O afundamento do U-199
U-199 - Tipo IXD2
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Construído em Bremen, foi posto a seviço da Marinha
Alemã em 27 de novembro de 1942, sendo comissionado ao
Cap. Hans-Werner Kraus ( comandou anteriormente o U-83 ); de
dezembro de 1942 a março de 1943 foi submetido a experiências
de navegabilidade, de máquinas, de torpedos e realizou os exercícios
táticos necessários ao treinamento da tripulação
(junto à 4 Flottille).
Incorporado à 12 Flottille, partiu de Kiel a 13 de maio de 1943; a 10 de junho atravessou a linha do Equador; chegou à sua área de patrulhamento, ao sul do Rio de Janeiro, em 18 de junho. Na noite de 27 de junho atacou, sem êxito, a 50 milhas marítimas ao sul do Rio de Janeiro, o mercante americano "Charles Wilson Peale", da classe Liberty. |
Comandante do U-199
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| No dia 3 de
julho, durante a noite, abateu um avião de patrulha norte-americano
PBM3 Mariner, do Esquadrão VP-74, pilotado pelo Tenente da
Marinha Harold C. Carey, matando toda a tripulação.
A 27 de julho, afundou o navio mercante inglês Henzada, de 4.161 toneladas. Na manhã de 31 de julho de 1943, o U-199, ao se aproximar do Rio de Janeiro, entrou numa área fortemente patrulhada por aviões, devido ao início da viagem do comboio JT-3, que saía do porto do Rio de Janeiro. Foi atacado, inicialmente, às 7 horas e 18 minutos, hora local, por um avião PBM Mariner norte-americano, que o avariou, difucultando sua imersão;o submarino achava-se a 60 milhas marítimas ao sul da barra da Baía de Guanabara. Foi então acionado o Grupo de Patrulha sediado na Base Aérea do Galeão (12º Corpo de Base Aérea) do qual responderam dois aviões: um A-28 Hudson, que decolou especialmente para o ataque e um PBY Catalina (PBY-14) que já se encontrava em vôo, na região de Cabo Frio, fazendo uma varredura na rota a ser percorrida pelo comboio JT-3. Os dois aviões chegaram sobre o submarino com uma diferença de dez minutos, permitindo um ataque coordenado; o Hudson, a partir das 8 horas e 50 minutos, hora local, apesar de não ter acertado as bombas no alvo, fez mais dois rasantes sobre o submarino, metralhando o pessoal das armas antiaéreas que, no trombadilho, desencadeavam fogo cerrado. |
| O Catalina, pouco
antes das 9 horas, iniciou dois ataques, lançando duas bombas de
cada vez; entre a primeira e a segunda passagem do Catalina, o comandante
do submarino deu ordem à tripulação para abandonar
o navio; depois do segundo ataque do Catalina, às 9 horas
e 2 minutos, o U-199 afundou, de popa em três segudos (posição.
23.54S, 42.54O).
O Catalina da FAB, verificando que havia sobreviventes, lançou botes de borracha ao mar e permaneceu sobrevoando o local, durante duas horas, até a chegada do destroyer norte - americano Barnegat que recolheu os sobreviventes. Da tripulação do submarino 49 morreram e 12 foram capturados. |
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| A 30 de outubro de 1943 se daria o último ataque realizado por aviões brasileiros contra submarinos inimigos : foi um verdadeito combate entre um Catalina do 1º Grupo da Unidade Volante da Base Aérea do Galeão e o U-170. O avião, comandado pelo Cap.Av. Dyonísio Cerqueira de Taunay, atacou o submarino com todos os meios disponíveis colocando-o fora de combate, mas o intenso fogo antiaéreo causou-lhe pesadas avarias (retornou à base com o motor direito fora de funcionamento, além de várias outras perfurações em outros pontos da fuselagem e da empenagem, além de dois feridos). |